Quando eu era um pequeno calanguinho, eu tinha um amigo, chamado Yago. Ele era aquele amigo que TODOS nós tivemos quando garotos. Aquele amigo meio gordinho e viciado em videogames. Normalmente esse cara é meio lento, vai um pouco mal na escola, mas é uma pessoa gente fina e um mestre em todo e qualquer tipo de videogame, é basicamente o cara que ganha de você até na luta de dedão(o famoso videogame de pobre).
Yago fazia parte da minha turma de amigos e, uma vez por semana pelo menos, nós nos reuníamos na casa de alguém e íamos jogar Super Nintendo. Tinhamos todos os melhores jogos, Mortal Kombat, Super Mario World, F-Zero. Todos os possíveis que podíamos achar nas lojas de games da região. Yago, claro, era mestre em todos, vencia todos nós em tudo, até no F-Zero que fazíamos complô contra o cara ele consegui nos jogar fora da pista e nos matar. O único de quem o Yago perdia era do Lucicreudo, agregado da nossa turma(olhe bem, eu disse agregado e não parte da nossa turma). Lucicreudo é aqula pessoa totalmente sem noção que só sabe atrapalhar as brincadeiras. Pra ter idéia do que isso significava, no Mortal Kombat ele só escolhia o Motaro.
De qualquer maneira, a história reside em um dia, quando nossa turma foi até a loja de games comprar algum jogo novo. Nos deparamos com algo que não era bem uma novidade, mas nenhum de nós jamais tinha jogado. Super Mario Kart. Compramos o cartucho por 25 reais(tudo em moeda de 10 centavos) e fomos pra casa nos divertir.
Logo na primeira corrida, Yago venceu todo mundo com uma volta de vantagem e olha que ele correu com o Donkey Kong. A segunda corrida ele foi mais bonzinho, usou o Mario, nem preciso contar o que aconteceu no final não é mesmo ? No final do dia, Yago já tinha feito o melhor tempo em todas as pistas do jogo. Aos poucos, todos começaram a ir embora e ficamos apenas eu e Yago.(não mencionei o fato do encontro ter sido em minha casa ? Se não, eu devia ter feito isso) Yago propos mais uma corridinha e eu resolvi aceitar. Mas o meu querido gato Enéas resolveu passar correndo(entenda a palavra correndo aqui como rolando) e puxou o fio de um dos controles, automaticamente travando a porra toda.
Claro que Yago rapidamente desligou o videogame, deu aquela assoprada mágica e religou. Foi quando nós dois notamos um modo que não tinhamos percebido quando ligamos o jogo pela primeira vez. O modo batalha! Resolvemos nos aventurar em tal modo e qual não foi minha surpresa quando trucidei Yago por impiedosos 3 a 0 na primeira partida ? Jogamos mais duas ou três batalhas e o resultado foi o mesmo, em todas as vezes! Demorei um pouco pra notar a razão disso, o pobre do Yago tinha uma mira pior que a de um cego. O cara não acertava nem o casco vermelho em mim. Com isso, fui vencendo Yago repetidas vezes, até a noite chegar e meu singelo amigo ir embora.
No dia seguinte, Yago me desafiou para um confronto decisivo no modo batalha. Naquela época, apostas eram sempre por coisas banais e por isso resolvemos apostar uma garrafinha de vidro de Coca-Cola(refrigerante de verdade). Decidimos fazer uma batalha melhor de três. Começamos e logo apliquei um belo 3×0 na primeira batalha, encerrando com um lindo casco verde no meio da fuça do Bowser. Na segunda batalha eu, muito empolgado, acabei deixando o Yago vencer(na verdade eu escorreguei em duas cascas de banana e me acertei com meu próprio casco verde, mas isso não conta). A terceira e decisiva batalha começou tensa. Yago consegui a proeza de me acertar com um casco vermelho e me tirou uma das vidas. Eu devolvi com a uma pancada usando a estrela. Logo depois, Yago deu a maldita sorte de pegar um raio e passar por cima de mim, tirando minha segunda vida. Consegui revidar e igualar as coisas com um casco vermelho. Então, faltando apenas uma vida para eu consegui pegar um casco verde(minha especialidade) e estava bem na frente de Yago. O pobre garoto começou a correr desesperadamente, mas o kart lerdo de Bowser nunca poderia fugir da impiedosa Peach. Ele estava encurralado, ele tinha acabado de fazer uma curva e quando eu a fizesse também, jogaria o casco bem no meio das costas do desgraçado.
Mas então, a desgraça caiu sobre mim. Lucicreudo apareceu de repente atrás de mim e apertou o botão para atirar o casco verde, só pra me sacanear. A porra do casco bateu no meio da parede e voltou bem no meio da minha cara. Foi a maior festa do lado contrário da briga. Até os cachorros do Yago comemoraram a vitória dele. Eu, como bom perdedor, cumprimentei meu amigo e paguei a Coca no dia seguinte. Fiquei sabendo algum tempo depois que o maldito do Yago tinha pago pro Lucicreudo me sacanear e ele poder me vencer, depois disso, nunca mais joguei com nenhum dos dois.
Hoje, Yago se tornou um bem sucedido zé-ninguém e trabalha como provador de balas de Tic-Tac. Já Lucicreudo… o filho da puta se perdeu no mundo. Não sei o que aconteceu com o desgraçado e não tenho vontade de saber. Mas se estiver lendo isso caro amigo, fique sabendo… eu ainda estou a sua procura.
Escrito por calangovesgo